• Eliane Silva

Pense de Novo

Atualizado: 6 de fev.

O poder de saber o que você não sabe




“Repensar” significa ser humilde, flexível e curioso o suficiente para questionar o que você acredita e o que pensa que sabe.


Repensar significa ter a mente aberta, atualizando constantemente os seus conhecimentos, suposições e opiniões. O ato de repensar parte da humildade, ou da capacidade de reconhecer que você provavelmente acredita em muitas coisas que não são verdadeiras e que há áreas da sua vida que você poderia desenvolver ainda mais com novos conhecimentos. Repensar inclui flexibilidade mental, mantendo um certo grau de dúvida sobre o que você considera ser verdade e cultivando a curiosidade para aprender o que você ainda não sabe.

O conceito de repensar surgiu da noção do cientista político Phil Tetlock sobre três tipos de mentalidade: pregador, promotor e político. Pessoas com a mentalidade de pregador sentem que dominam a verdade e querem que os outros acreditem nelas. Os promotores procuram mostrar às pessoas como elas estão erradas e assim “ganhar o caso”. Os políticos procuram constantemente a aprovação das pessoas e, embora possam parecer flexíveis, nunca mudam de fato o seu pensamento.

“Muitas das suas crenças são, na verdade, apenas palpites. São teorias que estão esperando para serem testadas; são hipóteses que podem ser falsificadas.”

Em um estudo, pesquisadores instruíram metade de um grupo de novos empreendedores italianos a considerar a sua visão e estratégia para as suas startups apenas como teorias e a adotar uma abordagem científica para identificar, estudar e validar ou invalidar essas hipóteses. A metade do grupo que não recebeu essas instruções ganhou, em média, menos de US$ 300 de receita naquele ano. O grupo que recebeu as instruções alcançou uma receita média de mais de US$ 12.000. Ao adotarem uma mentalidade científica, eles foram capazes de identificar novos caminhos que geraram estratégias mais aprimoradas.


Para praticar a integridade, muitas vezes você precisa escolher entre os seus valores e a sua personalidade.


Valores como criatividade, coragem e integridade, essencialmente forças de caráter, levam a uma vida virtuosa. Integridade significa manter princípios dignos e agir de acordo com eles, mesmo sob condições desafiadoras. Se para você primar pela autenticidade significa agir em harmonia com a sua personalidade, em alguns momentos a integridade e a autenticidade podem entrar em conflito. Nessas situações, agir de acordo com os seus valores exige que você atue contra a sua personalidade. Por exemplo, Adam Grant tem uma personalidade introvertida, mas às vezes opta por agir de forma extrovertida devido à sua paixão por ensinar, aprender e compartilhar ideias.


O entrincheiramento cognitivo pode explicar por que muitas inovações vêm de pessoas de fora de um determinado campo.


Pesquisas validam a premissa de que um pouco de conhecimento pode ser uma coisa perigosa. Acontece que quem sabe um pouco sobre determinada área – mais do que zero, mas não muito – corre o maior risco de superestimar a sua competência. Essas pessoas acabam iludidas pela auto avaliação muito positiva do seu aprendizado, fazendo-as acreditar que possuem um nível alto de conhecimento.

“Quando você começa a ganhar um pouco de conhecimento, a sua confiança sobe mais rápido do que a sua competência.”

Outra armadilha se aplica às pessoas que obtiveram experiência. Essas pessoas correm o risco do entrincheiramento cognitivo: a rigidez de quem está imerso nas suposições e abordagens de um campo. Por exemplo, os jogadores de bridge mais experientes teriam um desempenho pior do que os jogadores novatos caso as regras do jogo mudassem ligeiramente. E os contadores mais qualificados podem achar difícil se adaptar a eventuais mudanças nas leis tributárias, enquanto os contadores recém-formados podem absorver as mesmas mudanças com relativa facilidade. A rigidez dos especialistas pode explicar o fato de que as ideias mais ousadas tendem a vir de áreas externas e talvez ajudem a explicar os altos níveis de inovação encontrados entre os imigrantes.


O desacordo pode contribuir para o crescimento das pessoas, oferecendo oportunidades de aprendizado e desafios.


Normalmente, as pessoas evitam os conflitos para não prejudicar relacionamentos, equipes e desempenho. Mas o conflito funcional – discordar das ideias em vez de entrar em conflito pessoal – traz muitos benefícios: impulsionar a criatividade da equipe, melhorar a tomada de decisão em grupo e reduzir o pensamento de grupo. Quando as pessoas discordam mas continuam a debater sobre os seus pontos de vista, em vez de abandonar a discussão, algo importante acontece: ambas as partes aprendem sobre pontos de vista alternativos e se tornam mais ponderadas e persuasivas.

“Ter um ego tão frágil que impede você de ouvir críticas construtivas parece uma ótima maneira de estagnar.”

As pessoas agradáveis temem tanto o conflito de relacionamento que é comum evitarem também o conflito funcional. Por outro lado, as pessoas desagradáveis têm menos receio e uma maior disposição para expressar as suas divergências. Elas promovem benefícios nos seus grupos quando chamam a atenção para os problemas e se envolvem em conflitos funcionais construtivos – desde que evitem os conflitos de relacionamento. Pessoas desagradáveis podem servir como membros valiosos de uma rede, oferecendo críticas importantes, feedback incisivo e padrões elevados.


O pensamento contrário pode ajudar as pessoas a reduzir preconceitos e desconstruir estereótipos.


As pesquisas mostram que apenas tentar imaginar a perspectiva da outra pessoa não ajuda a construir o entendimento. Mas o pensamento contrário – imaginar-se tendo experiências semelhantes às de outra pessoa – pode ajudar você a compreender melhor as outras pessoas. As universidades podem ajudar a reduzir o preconceito, promovendo o pensamento contrário como estratégia. No entanto, o desejo de proteger a segurança emocional ou intelectual pode dificultar os esforços para ensinar o pensamento contrário. As instituições de ensino superior devem, em vez disso, garantir a segurança psicológica, – isenção de punição ou retaliação por correr riscos interpessoais. Isso não significa tolerar preconceitos ou discriminação; em vez disso, significa promover discussões e esforços de boa-fé para compreender as perspectivas de outras pessoas. Líderes que promovem a segurança psicológica e a prestação de contas – um compromisso com a verdade – facilitam a consolidação do aprendizado.

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