• Eliane Silva

Emoções: Fatos e Mitos

Você acha que consegue ler as emoções das outras pessoas?


A ciência não apoia três das crenças mais comuns que as pessoas têm sobre as emoções.


Muitos acreditam que uma pessoa fica feliz quando sorri ou fica triste quando franze a testa. Ao contrário do que se pensa, entretanto, as expressões faciais são indicadores precários de como uma pessoa se sente. Centenas de estudos revelam que pessoas que estão experimentando as mesmas emoções podem mexer os seus rostos de várias maneiras. Veja a raiva, por exemplo: pesquisas mostram que as pessoas com raiva fazem cara feia cerca de 30% das vezes, mas também podem sorrir.

“Quando se trata de emoção, a variação é a norma.”

Outra crença comum é que as emoções se manifestam no corpo por meio de um padrão único e reconhecível de mudanças físicas. A ciência sugere o contrário. Os corpos das pessoas reagem de maneiras diferentes quando sentem a mesma emoção. Além disso, as alterações fisiológicas, como aumento ou diminuição da frequência cardíaca ou da pressão arterial, não têm um significado emocional inerente. Por exemplo, pessoas com alta ansiedade apresentam os mesmos sintomas fisiológicos que pessoas que sofrem um ataque cardíaco, o que, aliás, muitas vezes geram diagnósticos errados e perigosos nas unidades de atendimento de emergência.

“As emoções são construções complexas, não circuitos simples.”

Muitas pessoas também pensam, incorretamente, que as emoções têm um “circuito dedicado no cérebro”. Considere a amígdala: toda a gama de emoções humanas pode desencadear atividades nesta região do cérebro. O medo, por exemplo, estimula a amígdala apenas 30% do tempo, indicando que não existe um circuito definido no cérebro para o medo.


O cérebro produz emoções em reação ao que acontece no corpo.


Os humanos não geram emoções em reação a eventos externos. Em vez disso, o cérebro cria emoções em reação ao que acontece dentro do corpo. As emoções são uma forma de o cérebro dar significado às sensações internas. As emoções sinalizam ao cérebro o que ele precisa fazer a seguir para manter o corpo seguro. O cérebro não tem acesso direto à realidade. Em vez disso, ele cria um modelo do mundo baseado na entrada sensorial. Quando a entrada sensorial chega, o cérebro tem que inferir a causa.

“O seu cérebro não tem acesso às causas, ele só tem acesso aos efeitos.”

Por exemplo, o que causa dor no estômago ou aumento da frequência cardíaca? Para responder a esta pergunta, o cérebro pergunta que evento passado causou uma reação corporal semelhante. O cérebro, portanto, dá sentido às emoções “em direto”, recriando padrões de experiências.


O cérebro cria “conceitos sob medida” e faz previsões constantes na tentativa de manter o corpo vivo e saudável.


O cérebro funciona como um mecanismo de previsão que prepara o corpo para as ações necessárias para permanecer vivo. As mentes das pessoas traduzem as sensações em emoções da mesma forma que os seus cérebros utilizam a experiência para construir conceitos e categorias. Por exemplo, o cérebro pode identificar um gato como um gato, mesmo que não tenha encontrado aquele gato específico antes. O cérebro realiza essa tarefa extrapolando as características comuns de um gato, com base em encontros anteriores com gatos. Da mesma forma, o cérebro constrói conceitos com base no que encontra no mundo exterior. Ele aplica contexto e experiência para dar sentido à entrada sensorial, por meio de emoções.

“As emoções que parecem acontecer com você são, na verdade, criadas por você.”

Portanto, a noção de que você pode ler as emoções das outras pessoas é pura ficção. O seu cérebro apenas tenta adivinhar como a outra pessoa se sente. Ele se baseia na experiência para decifrar a linguagem corporal da outra pessoa. O cérebro gosta de categorias, mas não existe um código universal de linguagem corporal para o cérebro decifrar. A ampla variação de como as emoções se manifestam no corpo das pessoas torna impossível para um indivíduo afirmar, com certeza, o que está acontecendo dentro de outra pessoa.

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