• Eliane Silva

Avance no seu próprio caminho

Um guia interativo para navegar na vida com confiança, solidariedade e compaixão


Nesta jornada imaginária, você vai identificar os resultados possíveis de várias decisões cruciais tomadas após se formar na universidade.


Na sua jornada pela vida adulta, você vai fazer escolhas sobre a sua carreira, família e onde vai morar, com base nos seus valores e prioridades. Mas ao longo do caminho, você experimenta alguns efeitos destas decisões e acaba percebendo como, muitas vezes, a vida segue caminhos diferentes daqueles desejados ou esperados.

“O caminho de cada um é diferente e cada um é resultado tanto dos sistemas sociais que os cercam quanto das suas próprias ações.”

Imagine que você acabou de se formar em uma faculdade de comunicação respeitável e as possibilidades parecem infinitas. A sua melhor amiga Sam decide tirar um tempo para viajar antes de se estabelecer profissionalmente e convida você. A ideia é tentadora, mas iniciar logo uma carreira de sucesso é também muito estimulante.

Se você escolher o caminho da aventura, a sua jornada continua assim: você viaja para a Costa Rica com a Sam para dar aulas em uma escola primária local. Em poucos meses, o seu espanhol melhora, você começa a se sentir em casa e ama as crianças da sua sala de aula. Você conhece um argentino chamado Eduardo e passa a maior parte do seu tempo livre com ele. À medida que o programa de um ano no exterior chega ao fim, você deve decidir se deseja retornar ao seu país e começar a sua carreira.

“Não é nada do que você esperava, mas a situação atual é perfeita para você.”

Se escolher permanecer na Costa Rica, vai encontrar trabalho em um parque de arborismo para pagar as contas. Depois de vários meses felizes, você está descontente com o trabalho entediante e o relacionamento com o Eduardo chega a um impasse. Você viaja com amigos para o Equador, trabalha em um livro sobre plantas tropicais e conhece um colega escritor chamado Antônio. O seu amor pela América Latina cresce junto com o seu amor por este novo homem. Você se casa com Antônio, tem três filhos e passa o resto da vida viajando, escrevendo e curtindo a família.


Em busca da realização, você traça uma carreira no setor sem fins lucrativos.


Caso opte por se concentrar na carreira, imediatamente após a formatura ou após o seu ano na Costa Rica, você envia dezenas de currículos em busca de qualquer coisa na sua área. Você divide um apartamento com uma estudante chamada Macy e trabalha em um bar à noite para pagar as contas. Por fim, você consegue uma entrevista para um cargo de editora de conteúdo em um grande banco. Enquanto espera pela resposta, alguém lhe fala sobre um cargo de gerente em uma organização sem fins lucrativos para cães-guia. No final das contas, você recebe duas ofertas de emprego. O mundo corporativo paga melhor, mas a oportunidade no terceiro setor soa mais gratificante.

“Para a sua surpresa, esta escolha é realmente mais perturbadora do que libertadora. O peso é significativo.”

Se você aceitar o emprego em uma organização sem fins lucrativos, logo vai perceber que o trabalho é variado, agitado e gratificante. No entanto, você continua com dificuldades financeiras. A sua gerente Stacy sugere que você faça um mestrado em administração pública e construa uma carreira no setor sem fins lucrativos.

Caso decida seguir o conselho de Stacy, você vai voltar a estudar em tempo integral para concluir um mestrado. Ao participar de um “hackathon de impacto social” na faculdade, você se encanta com a possibilidade de utilizar a tecnologia para tratar de questões sociais, como a falta de moradia. Uma gravidez inesperada atrapalha os seus planos. O seu relacionamento com o pai do bebê, um colega estudante chamado Silas, não é muito sério, mas, surpreendentemente, Silas fica animado com a notícia. Ele quer se casar, mas você não está segura.

“Talvez você esteja sendo muito idealista, mas sempre pensou que o homem com quem se casaria seria alguém que tocaria fundo na sua alma.”

Você se junta aos 23% das famílias americanas lideradas por uma mãe solteira ou escolhe o caminho seguro de se casar com Silas, por quem talvez não esteja apaixonada?


Você assume o emprego em um banco para obter estabilidade financeira e um caminho claro para progredir.


Se você escolher o emprego no banco em vez do cargo na organização sem fins lucrativos, você não tem dificuldade em realizar o trabalho, mas se sente subqualificada em comparação aos seus colegas aparentemente brilhantes e confiantes. Além disso, eles muitas vezes ignoram suas contribuições nas reuniões e alguns mais espertos roubam as suas ideias. Você não está sozinha. Quase 65% das mulheres experimentam esses tipos de “micro agressões” no local de trabalho.

Alguns meses depois você conhece Nathan na fila do caixa de uma loja. A química entre vocês é inegável. Justamente quando vocês estão se firmando como casal, Nathan recebe uma oferta para o emprego dos sonhos. Infelizmente, fica do outro lado do país, em Portland, em Oregon. Ele quer que você se mude com ele, mas você acabou de receber uma promoção e o seu futuro parece fantástico. Você tenta um relacionamento à distância ou dá um salto de fé e vai com Nathan para Portland?

“A feminista em você está apavorada com a ideia de romper com suas raízes e tomar uma decisão puramente baseada nas perspectivas de emprego do seu namorado.”

Se você decidir se mudar para Portland, a sua jornada continua assim: você adora morar com Nathan, aproveita a cidade e consegue um trabalho como redatora. Tudo está progredindo bem até que o seu gerente, Robert, “lança uma cantada” após uma reunião com um cliente. Você rejeita os seus avanços, mas ele continua a enviar textos inadequados e fazer comentários inapropriados.

“Estima-se que apenas 6 a 13% das pessoas assediadas no trabalho realmente denunciam, e daquelas que o fazem, 75% enfrentam retaliação.”

Você toma coragem e denuncia o fato ao RH, apenas para receber um conselho: “isso vai estourar nas suas mãos”. Agora você precisa decidir se quer deixar a empresa ou tornar pública a sua denúncia.


Planejamento familiar é um termo inadequado; uma gravidez muitas vezes desafia qualquer planejamento cuidadoso.


Após deixar o emprego – e a experiência frustrante – para trás, você e Nathan decidem se casar e passam a lua de mel em Barcelona. Enquanto desfruta de mais um dia perfeito, você vê uma jovem mãe e um filho e percebe que está perto dos 30 e sente vontade de começar uma família. Após meses sem conseguir engravidar, procura a ajuda de um especialista em fertilidade. As tentativas de fertilização in vitro resultam em um aborto espontâneo, e você desiste.

“A montanha-russa emocional de alimentar as esperanças e depois se decepcionar, mês após mês, está afetando sua felicidade.”

Ironicamente, um ano depois de perder a esperança de ter um filho, você engravida e tem um bebê saudável chamado Paxton. A sua licença maternidade passa rapidamente e deixar o seu bebê para voltar ao trabalho é angustiante. Por fim, você se adapta à nova realidade, equilibrando a vida doméstica e profissional.


Voltar ao mercado de trabalho ou ficar em casa com o bebê é uma decisão difícil e com implicações financeiras.


Se você decidir se casar com Silas, os pais do rapaz – apesar de surpresos com a gravidez – incentivam vocês a se mudarem para o bairro deles, nos subúrbios. Eles se oferecem para financiar uma casa e ajudar com o pagamento da entrada. Porém sair do centro da cidade restringe as suas oportunidades de emprego. Ainda assim, como 55% das pessoas na sua faixa etária, a ideia de começar uma família em uma linda casa própria é tremendamente atraente.

Você está perdidamente apaixonada pela sua bebê e por sua nova casa, embora esteja exausta pelas implacáveis exigências da maternidade. Morar perto dos pais de Silas tem suas vantagens e a mãe dele ajuda a cuidar da Zoe enquanto você termina o seu mestrado. O Silas conclui o mestrado alguns semestres antes de você e rapidamente consegue um emprego que adora.

“À medida que você se aproxima da formatura, a escolha se torna real: você começa a procurar um emprego ou planeja ficar em casa com Zoe?”

Você ainda pensa muito na ideia de aplicar a tecnologia para resolver problemas sociais, mas percebe que um salário inicial na sua área mal cobre os custos da creche. Além disso, a ideia de deixar o seu bebê para ir trabalhar parte o seu coração. A escolha entre voltar a trabalhar ou ficar em casa é tão angustiante que 39% das mães fazem uma pausa na carreira para criar os filhos.


A “geração sanduíche” carrega consigo o fardo duplo de cuidar dos pais idosos e dos filhos adolescentes.


Logo após você se estabelecer em Portland, a sua mãe se muda para uma cidade vizinha. Ela e Paxton se tornam inseparáveis. No entanto, durante uma visita você percebe que a sua mãe parece desarrumada e confusa, e a casa está uma bagunça. Uma visita ao médico revela que ela sofre de demência precoce e não consegue mais viver sozinha. O seu irmão, que mora no Texas, não pode ajudar com os cuidados diários da sua mãe, então você examina suas opções: você contrata uma assistente para morar com ela, transfere a sua mãe para uma casa de repouso ou reforma o porão para que ela possa morar com você? Cada opção vem com um preço alto e afeta fortemente o seu estilo de vida.

“Dos americanos de meia-idade, 15% estão fornecendo apoio financeiro para os seus pais e filhos, e 38% estão fornecendo apoio emocional para ambos.”

Se a opção é ter a sua mãe morando na sua casa, você contrata uma enfermeira, mas conforme o estado de saúde da sua mãe piora, os seus cuidados se tornam mais difíceis de administrar. Certo dia, ela tem um acesso de raiva à mesa de jantar, assustando o Paxton. A situação está pesando nas suas emoções, assim como nas finanças. Ser membro da geração sanduíche é assim: estar dividido entre cuidar dos filhos e dos pais idosos.


“Siga com confiança, solidariedade e compaixão e avance no seu próprio caminho.”


Você vai enfrentar muitas escolhas e oportunidades ao navegar pela jornada da vida. A noção do “felizes para sempre” é enganosa. A vida continua a evoluir, redefinir e apresentar novos problemas à medida que você se desenvolve e aprende. Continue a trilhar o seu próprio caminho, entendendo que, a cada curva da estrada você vai encontrar novos desafios bem como oportunidades de crescimento pessoal.


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